sexta-feira, 27 de novembro de 2009

VALE A PENA LER DE NOVO...1980

Jornal O Antoninense 02 de fevereiro de 1980
Coluna Ponto de Vista Eduardo Nascimento


Turismo I

A bela e as feras

Antonina está entre as mais belas cidades do nosso Estado. Sua beleza natural, seus recantos, sua baía emoldurada por imensas montanhas, seu casario colonial, sua história e sua gente. Tudo isto encanta aos visitantes. E o que está sendo feito para conservar e aproveitar tanta beleza? Você pode responder.

Os programas de implantação turística na cidade com a reciclagem de inúmeros conjuntos arquitetônicos, e o aproveitamento do potencial turístico da bela Ponta da Pita não passam do papel. A própria Paranatur há muito vem prometendo a implantação de um terminal turístico na Ponta da Pita. Mas, até agora, nada. Nossos administradores municipais já elaboraram vários projetos, um dos primeiros foi o 4P, Parque Praia Ponta da Pita, que não saiu de um painel enganador. Todos alegam falta de verba.
Na administração anterior, criamos um grupo de jovens idealistas para trabalhar em prol da comunidade. Apresentamos um projeto ao nosso nível e de acordo com os nossos recursos e necessidades. O Projotur (Projeto Jovem de Turismo) Seria então criado o Parque da Ponta da Pita, com serviços municipais de terraplenagem, arborização, quiosques de sapé, área para esportes e estacionamento. Tudo não passou da boa vontade e dedicação do grupo, mas, na hora do apoio da prefeitura recebemos um gelo danado, e uma tremenda má vontade. Daí a pouca vida do Projotur.

Nova administração, novas idéias, novos projetos. Até um arquiteto foi contratado para adaptar o velho projeto do Projotur às novas necessidades da cidade. Dinheiro, idéia e papel. Só isto. Agora eis a realidade. Uma beleza natural sendo agredida pelo homem, construções clandestinas por todos os lados; poluição de mictórios instalados nas residências próximas; fossas sépticas que as altas marés transformam em verdadeiras lagoas contaminadas. Está é uma triste visão de nosso maior ponto de referência turística. Só não vê quem não quer. Não há mínima condição, nem as necessidades básicas de higiene e segurança são respeitadas. Onde estão as autoridades, os defensores do povo?
Ponta da Pita, uma beleza rara, um recanto maravilhoso e aquarelado por Deus que está sendo destruído pelo homem, o homem animal sem o mínimo de sensibilidade. É tão fácil perceber suas necessidades, é abrir os olhos e sentir com o coração a sua beleza.

Turismo II

Como não é só de pão que vive o homem, também não é só da Ponta da Pita a bela Antonina. Seus monumentos históricos ainda cultivam muito do passado. A restaurada Igreja do Bom Jesus do Saivá é maior atração em valor histórico e originalidade da cidade. Por mais que o cartão de visita é a Igreja Matriz de N.SRA. do Pilar, com seu pouco valor histórico, pois sua originalidade foi quase que totalmente destruída pelos padres redentoristas na década de sessenta. A Igreja de São Benedito passou por uma tremenda reforma, mas não foram obedecidas normas de restauração, cultivando somente sua beleza externa alterada.
A Fonte da Carioca é um dos marcos mais importantes da cidade e encontra-se em bom estado de conservação, e é peça tombada pelo Patrimônio do Estado.Em comparação ao abandono completo da legendária e histórica Fonte da Laranjeira, culpa única e exclusiva do poder público. Em nossa lembrança o Teatro Municipal, o Portão da Cidade, o casario antigo da Rua da Praia, e o velho e saudoso Mercado Municipal, destruído pelo tempo e pela insensibilidade do homem.
Alerta. Antonina está sendo destruída, seu patrimônio histórico a cada dia que passa desmorona pelo chão, o homem ajuda esta destruição, nada é feito.
É preciso criar leis que determinem áreas tombadas, é preciso incentivar o morador em conservar a fachada de sua residência, e não modifica-la. É preciso conscientizar o povo pelo mal que está acontecendo, a destruição da maior atração da cidade: a própria cidade.

Um dos pontos altos como atração turística é sem dúvida a área gastronômica. E até que vai muito bem. Restaurantes pequenos, mas com um bom atendimento, oferecendo pratos típicos do litoral, não faltando o barreado e a casquinha de siri.

Nossas festas folclóricas e tradicionais ainda acontecem com muito brilhantismo. A Festa da Padroeira em 15 de agosto e o Carnaval são as maiores atrações da cidade. Mas a falta de organização tira um pouco do quanto melhor seria. Tudo é feito de última hora, sem o mínimo de planejamento.

Mas, é o antoniense o milagroso, e a maior atração de sua cidade. O contador de história, o homem do mar, o gaivota, Tube, Valdívio, o pessoal da esquina, sei Gijo e mais 15.000 habitantes fazem de Antonina sua principal atração.

Eis aqui um triste e alegre resumo de nossa Antonina, que dizem turística quer ser. A Paranatur implantou um Centro de Informação na antiga Estação Ferroviária, que até agora de informar nada fez. Mas, é uma grande iniciativa para uma cidade que se quer fazer turística, e tem tudo para se tornar.
Um programa básico deverá ser feito por órgão do governo para defender nossas necessidades básicas, nossa beleza natural, arquitetônica, artística e social. Sem isto, tudo não passa de falsa imagem. É preciso planejar para que no futuro nosso passado ainda esteja presente.

Um comentário:

  1. Matéria de primeira, até parece hoje!!!
    Você tem certeza que escreveu esta matéria em 1980?
    HaHaHa!!!

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