terça-feira, 14 de abril de 2026

VISITA A ILHA DE SUPERAGUI...após 40 anos.

Visita a Ilha de Superagui...após quantenta anos.

Barqueiro saindo de Paranaguá - 1986

No ano de 1986, foi a primeira vez que visitei a Ilha de Superagui, pertencente ao município de Guaraqueçaba, litoral do Paraná.

Em companhia do amigo André Carraro, a viagem foi a lazer, sem outro compromisso que “curtir a ilha”, mas na época gostávamos de fotografar, cada um levou seu modesto equipamento e fizemos algumas imagens da paisagem e dos moradores daquela vila de pescadores, como era conhecida.

Acostumado sempre em buscar histórias dos locais que visito, desta vez não foi diferente.

Informado que naquela localidade, em 1854, havia desembarcado um suíço de nome Willian Guilherme Michaud, onde viveu até 1902.

Para surpresa, o mesmo Michaud que já tinha conhecido através dos livros das Belas Artes, foi um dos colonizadores da região e um dos primeiros pintores a retratar nosso litoral.

Dentro do pouco tempo disponível, procurei me informar se ali havia alguns herdeiros da família Michaud, e encontrei algumas pessoas como Dona Helena, sua bisneta.

Dona Helena Michaud, Eu e seu Trajano - 1986

Helena Michaud, bisneta de Willian Michaud - 1986

Descendentes do Michaud - 1986

Helena Michaud dos Santos casou-se com Trajano Santos e tiveram vários filhos.

Também encontrei uma escola com o nome do pintor, mas, infelizmente não registrei.

A Ilha de Superagui, em 1991, foi reconhecida pela Unesco como Reserva da Biosfera, Unidade de Preservação e Parque Nacional do Superagui, em 1997, que engloba um conjunto de ilhas: de Superagui, das Peças, do Pinheiro e do Pinheirinho. *

vista parcial da orla - 1986

Por do sol Ilha de Superagui - 1986

Neste ano de 2026, faz 40 anos da minha primeira visita a ilha. Apesar que, durante este período ter voltado diversas vezes e ter acompanhado sua lenta transformação.  O tempo me ensinou e fez me interessar em retornar a ilha, para comemorar esses 40 anos – onde são poucos os privilegiados.

Entardecer em Supoeragui - 2026
A visita foi mais de lazer que qualquer outra coisa, claro, com um smartfone em mãos – diferente de quarenta anos atrás – e em companhia de minha esposa Marcia, saímos a caminhar pela praia, deslumbrados com a paisagem e com as pessoas que por ali circulavam, alguns turistas, muitas embarcações e nativos pescadores. Claro, a beleza do lugar faz despertar a paixão pela fotografia e não deu outra: muitas imagens.

Ao chegar a uma pequena pousada, de propriedade da amiga Selma, a Nativos, primeira coisa que indaguei se ela conhecia alguns descendentes do Michaud. Em posse de uma imagem que registrei quando ali estive, em 1986, com referência a um casal de descendentes, seu Trajano e dona Helena, então bisneta do suíço.

A primeira informação mais pertinente, obtive da senhora sogra da Selma, sua vizinha, dona Olinda Cardoso Silva de Araujo, 90 anos, que me indicou a casa do seu Erondino de Ramos, 82 anos, casado com uma neta da dona Helena.

Herondino de Ramos - 2026

Surpresa maior foi quando seu Erondino me indicou a casa de sua vizinha e sogra, Niza Michaud Miranda dos Santos, 91 anos, então filha do casal Helena/Trajano.

Conduzidos até a casa vizinha, batemos palma e alguém discretamente nos olhou pela janela – meio desconfiada. Seu Erondino nos abriu o caminho, dizendo que queríamos conhecer as herdeiras da família Michaud e imediatamente fomos recebidos no quintal da casa simples, de material e com um jardim bem florido.

Niza Michaud - 2026

Maria José e sua mãe Niza Michaud

Niza Michaud, eu e sua filha Maria José - 2026

Conhecemos dona Niza Michaud e sua filha Maria José dos Santos, 73 anos, no caso filha de neta do casal que fotografei em 1986.

Ao mostrar a imagem fotográfica, dona Niza teve dificuldade visual, disse que precisava trocar de óculos e operar a catarata. Mas, ao mostra a foto para sua filha Maria José, imediatamente, com muita emoção discorreu:  - foto de vovó Helena e vovô Trajano. O momento foi ímpar, pois narrei como obtive aquela imagem, nos abraçamos, fizemos alguns registros fotográficos junto as duas herdeiras e alongamos a conversa. Antes de deixar a casa, Niza me convidou para ver seu jardim, com muitas flores, árvores frutíferas e temperos.

Apesar de termos ainda algum tempo para permanecer na ilha. Encontrar descendentes dos Michaud, foi um momento marcante... emocionante, único...quando Maria José, reconheceu seus avós e os olhos de Niza lacrimejaram – filha de Helena.

Maravilhoso o poder da fotografia, da memória e da procura em dividir seus momentos, ora de um simples registro fotográfico, ora de uma “viagem” que o tempo nos proporcionou narrar histórias, resgatar sensações e interagir emoções.

Janela da porta- Ilha de Superagui -2026

Dias depois, retornamos a Paranaguá, trazendo na bagagem histórias de vida, recordações e novas narrativas para contar.

“Para ir a algum lugar é preciso saber de onde você veio.”

Eu carregando bagagem, Ilha de Superagui 1986
foto: André Carraro

Eduardo Nascimento - Abril de 2026



segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Livros do Bó...Edições do Autor. Eduardo Nascimento.


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sábado, 29 de novembro de 2025

TUCUM. Apelidos de Antonina. Lançamento do livro.

 O livro mais aguardado do ano...chegou TUCUM.


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POESIADOBÓ - Praça vazia...Silencio.

Silêncio

Praça vazia…
Calçada verdejante;
Mato apoderado.
Flores mortas pelo chão.
Bancos tristes falhados sem brilho…
Recorda poeta morto;
Aos pés da tamarindeira.
Coreto silencioso…as escuras
No pátio que já foi da matriz,
Ou da República golpista.
A chuva interrompe a lembrança,
Mas resisto, na tentativa em…
Terminar.
Para chuva. Bicicleta molhada.
Tá na hora do almoço. Mas, antes…
Me viro, vejo casas fechadas.
Pura fachadas, cenário cinematográfico.
Almas perdidas, história contadas…
Sem escritas padecem.
Levanto-me pego trecho…
Molhado e alma lavada.
Momento solo…lembranças;
Vida!
E não é que o sol apareceu?!?!?
16 11 25
Eduardo Nascimento

segunda-feira, 30 de junho de 2025

34 anos do Primeiro Festival de Inverno da UFPR...em Antonina.

 Hoje, 30 de junho de 2025, as 11 horas, completa trinta e quatro anos da abertura do 1º Festival de Inverno da UFPR, realizado aqui em Antonina, no período de 30 de junho a 07 de julho de 1991.

 

Solenidade de abertura do 1 Festival de Inverno da UFPR - 30 junho 1991,
Na foto: Prefeito Leopoldino de Abreu, Reitor Prof. Dr. Carlos Alberto Faraco e 
Prof. Dra. Marcia Kresten - Pro-Reitora de Extensão e Cultura 
foto: Eduardo Nascimento

A abertura solene foi realizada em um palco montado na Rua Dr. Carlos Gomes da Costa, pelos senhores Prof. Dr. Carlos Alberto Faraco - Magnífico Reitor da UFPR, Professora Dra. Marcia Kersten, Pró- Reitora de Extensão e Cultura e Leopoldino de Abreu Neto, Prefeito Municipal de Antonina. Seguindo com a apresentação da Filarmônica Antoninense, dando as boas-vindas a universidade.

Apesar do difícil momento pelo qual as universidades públicas passavam, durante o Governo do Collor de Mello, onde até foi instinto o Ministério da Cultura, aleijando ainda mais a área. A comunidade universitária declara Greve das IFES, em pleno período de montagem e realização do evento. Sem o aparato logístico da universidade, as dificuldades e os desafios foram ainda maiores para a realização do evento, mas a equipe não mediu esforços e realizou o 1º Festival de Inverno da UFPR, em Antonina.

Assim declarou Márcia Simões¹: "O Festival não tinha condições de parar, são mais de cem professores envolvidos, monitores, gente de fora. Quando se faz uma greve, a gente tem que considerar este tipo de coisa, a perda que acarretaríamos. Embora de um lado a gente seja a favor da greve, de outro sabemos que o Festival precisa acontecer”.

"O momento para buscar saídas é exatamente esse, o momento do caos. Não basta a Universidade fechar as portas. A gente tem que propor alternativas ao acesso ao conhecimento e a produção cultural. E uma alternativa é ir ao encontro da comunidade, convidando-a a consumir e a participar da produção existente. Infelizmente o projeto desse Festival ainda saiu das mãos de poucas pessoas até em função das dificuldades do momento." argumenta o professor Eduardo Nascimento, um dos idealizadores e coordenador do evento.

Primeiro cartaz do Festival de Inverno, criado pelos
alunos de projeto gráfico do curso de
Comunicação Visual da UFPR.

O Festival de Inverno da UFPR, foi realizado até o ano de 2022, sua 32ª edição, e por desinteresse recíproco das instituições parceiras, UFPR e Prefeitura de Antonina, dirigentes e comunidades até então envolvidas, o projeto pedagógico foi interrompido e não passou mais a ser realizado. Bom lembrar que, até durante a pandemia, o evento aconteceu em caráter on-line e voltou fisicamente no ano de 2022 (última edição).

Vale salientar que, este projeto já foi considerado o maior evento de extensão artística de uma universidade pública do sul do país. Mas, também bom lembrar, que qualquer projeto institucional, principalmente da “frágil” área da cultura, quando se torna apenas um compromisso burocrático “para cumprir tabela” tende a desaparecer.

O Festival de Inverno da UFPR, sempre cumpriu com seu papel principal de envolver o fazer artístico da Universidade e da Cidade, projeto criado, discutido e planejado com esmero de uma equipe comprometida, principalmente com a educação pública, gratuita e de qualidade. Onde o entretenimento era apenas complementar, as dezenas de wokshops realizados, tudo muito em sintonia com as expectativas da comunidade acadêmica e da comunidade capelista. Acredito, ter cumprido seu papel, com transparência, profissionalismo e dedicação.

Certa vez já escrevi: “Festival de Inverno da UFPR, um estado de espírito”.

do livro “11 anos de cultura, arte e cidadania Festival de Inverno da UFPR, pág. 23, Editora PROEC-UFPR, 2001”

Outras informações: https://palavradobo.blogspot.com/2014/07/assim-nasceu-o-festival-historias-e.html

https://palavradobo.blogspot.com/2023/07/e-assim-nasceu-o-festival-de-inverno-da.html

sexta-feira, 16 de maio de 2025

NO QUINTAL DA MINHA CASA...

 

Fachada da minha casa...mas no quintal...

No quintal da minha casa…

 

No quintal da minha casa,

Tem praça com árvores…

Palmeiras e coqueiros.

Tem um pé de abricó e

Mangueira que não dá fruta.

 

No quintal da minha casa,

Tem água meio do mar…

E também do rio.

Tem manguezal, Caranguejo…

Siri também tem.

Peixe, bacucu e camarão…

Barreado e Pirão do mesmo.

 

Tem quero-quero e socó,

Garça, biguá e até guará.

Gaivota de vez em quando,

Urubu sobrevoar.

 

No quintal da minha casa,

Tem canoa, barco e veleiro.

Navio avista-se ao longe.

Tem de nascer e…

Pôr do sol.

 

No quintal da minha casa,

Tem montanha no horizonte…

Pico, nuvens… Neblina.

Tem ruínas e muita história.

Igreja, mirante…chafariz;

Calçamento de pedras…

Caldo de cana.

Tem Festival, Carnaval e procissão.

Bala, aqui é de banana.

Banda para acompanhar e

Trem para passear.

 

No quintal da minha casa,

Tem gato para cuidar,

Gambá para observar…

Tem mato para limpar.

Lixo para separar.

 

No quintal da minha casa…

Tem gente para conversar,

Calçada para prosear…

Causos para ouvir…

E contar.

Silêncio para despertar.

 

No quintal da minha casa…

Tem.

 

05.05.25

Eduardo Bó Nascimento

Antonina


quinta-feira, 10 de abril de 2025

POESIADOBÓ...Ninguém.

 Vou e volto

E não encontro ninguém.
Mas, ninguém me encontra,
Indo ou voltando.
Na ida também;
Não encontro ninguém.
Ninguém na volta.
Mas se a volta for meia…
Ninguém meia volta.
Volta e novamente…
Ninguém.
Mas na ida alguém me olha,
Volto e…Ninguém.
Vou e volto…
Ninguém.

Bó 09 abr 25

segunda-feira, 31 de março de 2025

ARMAZÉM MACEDO...E DAÍ?

ARMAZÉM MACEDO...E DAÍ?

 
Imagem durante a reconstrução. 
Arquivo do bloguista.

Quem visita o tão badalado Armazém Macedo, joia da gestão municipal anterior, sente a falta de cuidados, abandono e deterioração deste tão importante marco para a cidade e região.

A restauração do Armazém Macedo, foi contemplada pelo PAC das Cidades Históricas, programa do Governo Federal – 2012, mas, por divergências teve seu projeto interrompido durante alguns anos. Em 2017, foi selecionado como prioridade pela gestão do Iphan-Pr, junto com a adm. Municipal. E em um esforço coletivo, teve seu projeto aprovado e executado.

Em 2020, restaurado foi entregue a comunidade, ficando então, sob “responsabilidade da Prefeitura Municipal”. Mas será que foi assinado o Termo de Comodato (empréstimo) entre a Superintendência do Patrimônio da União e a Prefeitura?

Até então o que notamos, foi uma movimentação de ocupações por agentes municipais, mas, muito aquém da grandeza que o local merece.

Em determinado momento, apareceu o SESC como novo protagonista do espaço. Novamente, tudo não passou de mera especulação, pois “conforme acordado” a prefeitura, mais agiu como acomodada do que Concessionária e não poderia repassar tal Concessão (creio não existir).

Ano passado, véspera das eleições municipais, a gestão atual da PMA, começou um flerte com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (poderá ser um bom parceiro) e deve ter tentado repassar tal responsabilidade para esta instituição.

No momento, o que denotamos, é um espaço sendo subutilizado, com vestígios de falta de manutenção e deterioração em todos os aspectos. Grades enferrujadas, deque de madeira apodrecendo e sem pintura, iluminação insuficiente, ar-condicionado sem funcionar e o mais grave, limitação de acesso público ao conjunto restaurado. Alegado pela vigilância de plantão que somente poderá adentrar com ordem da Universidade. Mas, cadê a Universidade?

A pergunta de nós cedentes é a seguinte: quem é realmente a Concessionaria responsável pelo funcionamento e gestão do conjunto restaurado, conhecido por Armazém Macedo? O SPU, o Iphan, a Prefeitura de Antonina...ou a UTFPR?

Apenas queremos e merecemos ter o direito à informação dos desígnios dos espaços públicos e saber de quem é a responsabilidade em gerir e manter aquele espaço. Bom ressaltar, que custou nada menos de R$8 milhões dos cofres do Governo Federal, aliás, nosso dinheiro. E não poderá ser tratado com descaso e desleixo. Total falta de respeito a tudo e a todos.

Queremos o Armazém Macedo VIVO. Com gestores responsáveis e competentes (seja lá quem for), mas, que tenhamos espaços equipados e acesso democrático com práticas culturais das mais diversas, pois de uma coisa tenho certeza, o local foi restaurado para agregar manifestações e eventos culturais. Fiz parte desta escolha.

Vamos aguardar. Atentos.

N.Ed.Blog. Enviei correspondência a Superintendência Regional do Patrimônio da União-PR, para esclarecimentos.