Falta
de três documentos, prometidos há anos, dificulta instalação de empresas e
exploração sustentável do potencial da região Publicado em 08/06/2012 GAZETA
DOPOVO| FABIANE ZIOLLA MENEZES
Três
documentos de responsabilidade do governo estadual e que servem de base para a
criação e revisão dos planos diretores das sete cidades do litoral do Paraná
estão demorando a sair. Prometidos há anos e por diferentes governos, esses
documentos são fundamentais porque definem, afinal, o que pode ou não ser área
industrial. Em
uma região que é uma colcha de retalhos de áreas de preservação mas precisa
encontrar alternativas ao turismo de verão, instrumentos assim facilitam a
atração de investimentos e evitam impasses como o da Subsea 7. A empresa
norueguesa de engenharia submarina comprou uma área em Pontal do Paraná em
2007, mas teve de desistir do investimento depois que o Instituto Ambiental do
Paraná (IAP) cancelou a licença prévia em razão da fragilidade da área, que é
de Mata Atlântica.
Plano alarga horizontes de Paranaguá Segundo
informações preliminares da Appa, o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do
Porto Organizado (PDZPO) de Paranaguá identificou 50 milhões de metros
quadrados disponíveis para crescimento da área e retroárea do terminal,
mantendo 80% da área da baía preservada. Segundo a autarquia, o documento dará
origem ao maior plano de arrendamento portuário do país. Um
arquivo publicado no site do Conselho de Autoridade Portuária (CAP) dá alguma
ideia do que se pretende em Paranaguá, com a indicação do bairro Rocio, por
exemplo, como um dos afetados pela expansão do terminal. Ele fica na
extremidade oeste do porto, que deverá ser destinada à atracação de navios de
passageiros. O
documento também indica que o centro administrativo da Appa dará lugar a mais
empresas e será instalado em um novo prédio “para abrigar também escritórios e
representações da comunidade portuária, dos órgãos públicos que intervém na
atividade portuária, restaurantes, auditório e centro de formação profissional,
todos cedidos em forma de aluguel/arrendamento”. O PDZPO ainda reforça a
necessidade de se aprofundar o canal e áreas de fundeio de navios para 17
metros.
Programa do governo não sai do lugar Com
as bases lançadas ainda em dezembro de 2010 por um decreto do então governador
Orlando Pessuti e incorporado por Beto Richa, o programa Pontal do Pré-Sal, que
prevê uma série de vantagens para empresas de desenvolvimento de navios,
plataformas e equipamentos pesados, chega à metade do segundo ano do governo
Richa sem deslanchar. À exceção da italiana Techint, nenhuma outra empresa da
atividade se fixou no Paraná. Um
dos principais entraves é justamente a falta de legislação apropriada que dê
segurança jurídica aos investimentos. O regime fiscal especial, que, por
enquanto, é basicamente o que forma o programa, inclui suspensão do ICMS na
importação de máquinas e na venda de mercadorias e a postergação do tributo na
compra de bens. Para usufruir dessas vantagens, as empresas teriam de iniciar
as obras em até seis meses a partir da emissão da licença de instalação e
começar a funcionar até dois anos após a licença de operação. Outra exigência –
que talvez seja revista pelo governo – é de que as empresas gerem ao menos 2
mil empregos diretos.
Techint planeja polo offshore na região Desde
o ano passado, uma área de 100 mil metros quadrados está prevista para ser
cedida à multinacional italiana de construção de plataformas e estruturas de
exploração de petróleo Techint, dentro do terminal público de Barão de Teffé do
Porto de Antonina, como um espaço de apoio às atividades da unidade de Pontal
do Paraná. A
expectativa do município em relação à instalação da unidade é grande. “A
estimativa é pela geração de até 1,5 mil postos de trabalho, que podem mudar a
cara de Antonina e dar o pontapé no que imaginamos ser a vocação atual da área
portuária da cidade: a de apoio aos serviços de construção e manutenção de
exploração offshore do pré-sal”, explica o prefeito, Carlos Augusto Machado.
Segundo ele, o município não tem esperanças de retomar o trabalho portuário no
mesmo ritmo de Paranaguá, mas de se tornar uma plataforma de serviços. “No
fim de 2011 começamos os trâmites para o licenciamento ambiental da área. Nossa
esperança é usá-la para este contrato [construção de duas “jaquetas”,
estruturas de sustentação de plataformas fixas, para OSX Brasil, até 2013].
Para isso imaginamos a geração de 500 a mil postos de trabalho em um primeiro
momento. Nosso sonho é de dar a partida para a criação de um polo offshore em
Antonina”, explica o superintendente de Desenvolvimento de Negócios da Techint,
Luís Guilherme de Sá. A
Techint possui o estaleiro de Pontal há mais de 30 anos, mas a última vez que a
empresa utilizou o local foi entre 2005 e 2006, quando entregou à Petrobras uma
jaqueta de 6,3 mil toneladas. Na ocasião, a operação empregou cerca de 1,5 mil
pessoas. O investimento para a modernização e ampliação da unidade de Pontal –
de 160 mil para 200 mil metros quadrados – é de R$ 300 milhões. As obras civis
estão praticamente acabadas e a construção das plataformas deve começar em
breve. Além
da construção de plataformas, a empresa pensa em usar Pontal e Antonina para
produzir módulos para navios FPSOs, embarcações que ficam ancoradas em alto-mar
e fazem o primeiro processamento do petróleo antes de trazer o produto à costa.
Cada montagem de um navio assim leva entre um e dois anos. O alvo no momento é
a Petrobras, que abriu licitações para oito FPSOs.
EMPREGOS A
Techint estima criar de 500 a mil postos de trabalho em um primeiro momento em
Antonina, assim que começar as atividades no Barão de Teffé. O
primeiro documento travado, sob a responsabilidade das secretarias estaduais de
Meio Ambiente e Planejamento, é o Zoneamento Econômico Ecológico do litoral. O
ZEE tem como finalidade orientar os planos diretores das cidades que ainda não
têm a normativa (Matinhos, Morretes, Pontal do Paraná e Guaratuba) e também a
revisão daquelas que precisam aprimorá-la (Antonina, Paranaguá e Guaraqueçaba). O
zoneamento indicará que áreas podem ter atividade portuária ou industrial, as
que precisam ser preservadas e as que não devem servir de moradia pelos riscos
ambientais. Instituído no Brasil em 1991, o ZEE começou a ser discutido no
Paraná em 1995, mas a comissão que realmente começou o trabalho foi formada
apenas em 2010. Segundo
o secretário estadual de Meio Ambiente, Jonel Iurk, a redação do ZEE está
pronta, mas passará por audiências públicas a partir de julho para então seguir
à Assembleia Legislativa. Só depois de aprovado e sancionado é que poderá se
consolidar como o marco regulatório para a ocupação do litoral. “Hoje
o litoral tem praticamente 82% do seu território constituído de unidades de
conservação, portanto de uso bastante restrito, e pouco mais de 17% destinado
ao desenvolvimento econômico. O ZEE vai definir, de uma vez por todas, aquelas
que podem ser regularizadas e aquelas que deverão ser recuperadas e permanecer
intocadas.”
Portos Os
outros dois documentos que emperram a atração de investimentos ao litoral são
os planos de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto Organizado (PDZPO) de Paranaguá
e de Antonina – ambos de responsabilidade da Administração dos Portos de
Paranaguá e Antonina, a Appa. O de Paranaguá teve o relatório final entregue em
25 de maio ao Conselho de Autoridade Portuária (CAP) de Paranaguá e terá de ser
aprovado também pela Secretaria dos Portos (SEP) e Agência Nacional de
Transportes Aquaviários (Antaq). A expectativa é que isso leve até 60 dias. O
de Antonina começou a ser feito só agora. O PDZPO define que espaço da área
portuária está disponível para a instalação de empresas e prevê as condições de
expansão do terminal. Deveria ser atualizado a cada cinco anos, mas
a última revisão do de Paranaguá é de 2002. Próximo de Rio e São Paulo, o
Paraná tem grande potencial para se tornar um polo de serviços e manutenção
para a indústria naval e offshore.
Em Antonina, obras opõem interesses Jonathan Campos/ Gazeta do Povo A ALL e os Matarazzo
querem parar obra ao lado de via férrea A
área portuária de Antonina e seu entorno tem gerado conflitos entre a
prefeitura e a iniciativa privada antes mesmo de ter sua esperada retomada.
Duas intervenções recentes foram o chamariz para a disputa: a obra de
asfaltamento e interligação das avenidas Conde Matarazzo e Tiago Peixoto, que
dão acesso ao Porto de Antonina; e a tentativa de construção de um barracão da
Fortesolo em uma área residencial. No
primeiro caso, um dos herdeiros da família Matarazzo – dona do complexo
industrial centenário que fica ao lado do terminal público de Barão de Teffé e
também da única ferrovia particular do país e que passa paralela à Avenida –
entrou com uma ação contra a prefeitura para que a obra, custeada com dinheiro
da Transpetro, seja embargada. A
estrada de ferro, desativada desde os anos 1970, é a grande esperança de volta
aos negócios da família Matarazzo. A América Latina Logística (ALL) já teve o
aval dos herdeiros para utilizar a concessão ferroviária. “A concessão segue
até 2017 e deve ser renovada. Tanto eu quanto minha mãe já oferecemos a
ferrovia para a ALL”, explica Fernando Matarazzo, herdeiro das propriedades da
família junto com a mãe, Eneida. O problema é que discordâncias entre mãe e
filho emperram a herança há mais de dez anos. Assim
como o herdeiro Matarazzo, a ALL protocolou, na semana retrasada, uma ação na
Vara Federal de Paranaguá contra a prefeitura também pedindo a interrupção da
reforma da Avenida Conde Matarazzo. A empresa quer que o projeto seja adequado
aos planos de reativação da linha. Pelo
projeto atual, uma ciclovia correria ao lado da linha férrea, algo bastante
criticado pela população local, já que duas das principais escolas do município
ficam na via, além de uma unidade da Associação de Pais e Amigos dos
Excepcionais (Apae). Outro
conflito é a construção de um barracão da Fortesolo em um dos bairros
residenciais da cidade. A empresa é ligada à Equiplan Consultoria Empresarial,
que, em 2009, comprou 58,81% das ações do Terminal Ponta do Félix pertencentes
aos fundos de pensão Previ e Funbep. A Fortesolo iniciou, no fim de 2011, a
construção de um barracão na Avenida Tiago Peixoto, no bairro Barigui, ainda
considerado residencial pelo Plano Diretor da cidade. Moradores alegam que a
administração municipal tentou alterar a legislação durante a construção para
beneficiar a empresa. Acatada
pelo juiz local e deferida parcialmente pelo Tribunal de Justiça do Paraná, uma
liminar movida por Fernando Matarazzo interrompeu a obra
N.E.do Blog; A falta de um representante da região na Assembléia Legislativa corrobora com a lentidão e a falta de interesses com o desenvolvimento regional. Ou aprendemos a fazer política elegendo nossos representantes ou iremos continuar na dependência dos interesses alheios. Tenho dito.
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