![]() |
Caserna (sede) dos Escoteiros - 1965 |
O 23 de abril
No tempo que fui escoteiro entre os 12 e 15 anos de
idade, lá pelos idos da década de sessenta. Seu Maneco Picanço – chefe da tropa
– reunia o pessoal para comemorar o Dia do Escoteiro. Um dia logo após as
comemorações do Descobrimento do Brasil – 22 de abril, e de Tiradentes – 21 de
abril - datas também por nós comemoradas com hasteamentos de bandeiras, cânticos
de hinos, desfiles, jogos e muitas guloseimas.
No período matutino, lá íamos nós garbosos, enfileirados prestar
homenagem aos escoteiros falecidos, com visita programada e obrigatória ao
Cemitério Bom Jesus do Saivá.
Ao pé do cruzeiro, seu Maneco lembrava sempre de vários
companheiros, principalmente dos “heróis” que fizeram a caminhada a pé de
Antonina ao Rio de Janeiro (1941) para entregar ao Presidente Vargas, uma
mensagem do povo antoninense, solicitando a reabertura das agências estatais do
Loyde Brasileiro e da Cia. Nacional de Navegação Costeira, ora fechadas em
nossa cidade.
Ao término daquele momento de reflexão, voltávamos para
nossa sede – a Caserna – e quase sempre organizávamos uma pequena “refeição
tropeira” ao pé de uma fogueira.
No período da tarde, o chefe passava inspeção aos
acantonamentos – pequeno abrigo que sediava uma patrulha, célula que
estruturava a tropa.
Todos primavam pela organização, limpeza e capricho, que
poderiam se transformar em premiação por parte da chefia. Minha patrulha era a
da Águia.
Aconteciam também jogos entre as patrulhas e o ponto mais
agradável, era o canto do Quebra-Coco. Onde cada participante cantava um
versinho e a fila rodava;
“Quebra-coco...quebra-coco, na ladeira do Diá*;
Escoteiro quebra-coco e depois vai trabalhar”.
“Namorei uma menina...que tinha dezoito anos,
Ela não tinha peito...fazia peito de pano”
Esta era a trovinha mais audaciosa, que a chefia censurava,
mas a “galera” aplaudia.
As comemorações do Dia do Escoteiro, também incluíam as
celebrações a São Jorge, considerado nosso padroeiro.
À noite a festa continuava. A tropa se reunia e caminhava
até o morro do bairro da Caixa D’Agua, onde participávamos de uma cerimônia umbandista - em um terreiro local - oferecida ao nosso padroeiro São Jorge.
Esta era a festa mais esperada pela garotada, pois a
comunidade se orgulhava da nossa visita, onde éramos contemplados com todos os
tipos de assédios: doces, bebidas e presentes.
Tudo não durava mais que três horas e quando a celebração
terminava, voltávamos alegres, felizes e cansativos para a nossa Caserna, onde
o brado “Vale Porto” – nosso grito de guerra - dispensava a tropa, para
a garotada retornar as suas moradias.
Assim comemorávamos o dia 23 de abril, Dia de São Jorge e
dos Escoteiros.
-----------
*Diá: espaço de tempo que vai do nascer ao pôr do sol. /
Claridade, luz do sol: o dia começa a despontar. / Tempo durante o qual ...
muito bacana!! Resgate bom e necessário!!
ResponderExcluir