segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Agosto, mês do Patrimônio Cultural

Paisagem de Antonina, mar, arquitetura e floresta.

No último dia 17 de agosto celebramos o Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural e sendo Antonina umas das cidades brasileiras tombadas como Patrimônio Nacional, não poderíamos deixar de relembrar tão grandiosa conquista.

Tendo como campanha o tema de 2026, Patrimônio Criativo: Inclusão Produtiva, Trabalho e Renda, soa bem nos ouvidos dos que defendem e acreditam no tombamento como proteção e valorização dos bens de uma comunidade.

Dentro desta perspectiva de ações, esperamos que a área tombada da cidade, desde o ano de 2012, possa realmente em ação conjunta - estado e município, definitivamente desenvolver projetos que venham ao encontro das nossas necessidades, na geração de renda e emprego.

Mas, entre intenção e ação existe uma imensa lacuna. Hoje, Antonina passa economicamente por uma situação decadente, e infelizmente ouvimos por parte de pessoas e até autoridades desinformadas, que tal situação econômica é resultado do tombamento.

Devemos reconhecer que, apenas tombar uma área de uma cidade na justificativa de proteger seu patrimônio, requer além de uma lei, uma vasta campanha de conscientização comunitária, principalmente junto as escolas e poderes constituídos. Sempre “amarrado” com ações que gerem renda e emprego para as pessoas. Quando esclarecida, a própria comunidade constituirá sua maior defensora.

Reformar ou restaurar – tratar como entende os técnicos, resolve apenas uma parte, mas o bem, em sua maioria arquitetônico, precisa se tornar vivo, com aura – como dizia Walter Benjamin. Os escassos recursos públicos para a Cultura, precisam retornar à comunidade. Os espaços recuperados devem atender principalmente demandas dos setores de cultura, e no caso de Antonina, ao Turismo Histórico Cultural. Mas, não é isso que vimos acompanhando, espaços recuperados sendo ocupados apenas pela burocracia gerencial do município, ou fechado.

Igreja de São Benedito em obras.

No momento está sendo restaurada a Igreja de São Benedito, que devera ser entregue a comunidade até o mês de outubro próximo. Esperamos que, dentro do novo viés patrimonial deste governo, passe a ser uma célula viva, quer da religiosidade da cidade ou de outra função digna. Nossos impostos precisam retornar com energia e luz e não apenas em mais um “monumento caiado”.

Em tempo. Participei como cidadão de uma visita técnica aberta a comunidade, e reparei – tendo em mãos uma cópia do projeto da obra, a ausência da recuperação de acesso ao mirante da torre. Local onde durante período da minha juventude frequentava para deslumbrar nossa bela paisagem, e fui informado que não estava contemplado no projeto.

Imediatamente enviei e-mail a Superintendência Regional do Iphan_PR, sugerindo um aditivo para a construção de uma escada/acesso ao mirante. Obtive imediato retorno, mas devidas considerações e justificativas, acredito que ainda poderemos ser contemplados.

O acesso ao mirante da torre da Igreja de São Benedito, além de integrar e complementar tal bem construtivo, somado a normas de proteção e segurança, promoverá visitações a comunidade e aos visitantes, gerando conhecimento através da observação sobre a cidade- área tombada e até geração de recursos para a manutenção do templo. Vamos aguardar.

Antonina é Patrimônio do Brasil, precisamos entender e transformar essa nossa riqueza em geração de renda e emprego, e qualidade de vida. Ignorar é perder tudo.

 Eduardo Nascimento Agosto 26


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