sexta-feira, 10 de abril de 2020

Sábado de Aleluia...Dia de MALHAÇÃO DE JUDAS

Malhação de Judas no bairro do Batel, em 1975.
Arquivo do Blog.
MALHAÇÃO DE JUDAS

Como parte do calendário cristã, o sábado que antecede a páscoa é o Sábado de Aleluia.
Data tão esperada como a páscoa pela criançada da minha época. Pois, na sexta-feira preparávamos os bonecos que seriam queimados e malhados pelas ruas da cidade. Era o dia da Malhação de Judas.

Um pouco da história
Nos contam que o costumo veio da Europa, trazido pelos portugueses e espanhóis, cuja brincadeira retrata a figura de Judas Iscariotes, como símbolo de traição. Consiste em surrar um boneco do tamanho de um homem, forrado de serragem, trapos ou jornal, pelas ruas de um bairro e atear fogo a ele, normalmente ao meio-dia.
É também realizada em diversos outros países, sempre no Sábado de Aleluia, simbolizando a morte de Iscariotes.
No Brasil, após sua democratização, a figura de Judas foi substituída pelos políticos - considerados por grande parte da sociedade, como traidores. Eram colocados nomes nos bonecos e até imagens de camisetas, até então, peça de propaganda político-eleitoral permitida.

Malhação de Judas (Debret, Jean-Baptiste, 1768-1848.
Voyage pittoresque et historique au Brésil. 
Tome troisième. p. 34).
Malhação de Judas Em Antonina
A criançada toda se preparava para o grande dia da malhação. Tinha boneco espalhado em todos os bairros da cidade. E cada morador esperava o badalar dos sinos da matriz, no meio-dia. Era Judas no Batel, no Portinho, no Matarazzo...Etc.
No centro da cidade o mais tradicional, era o boneco construído pelas Irmãs Mattar, as Jabuas, proprietárias de loja na Rua XV.
A garotada se preparava com um pedaço de pau, um porrete, e ia toda para frente da loja, onde estava pendurado o tal boneco, que seria tocado fogo e totalmente mutilado.
Dado a largada, saíamos pelas ruas da cidade malhando o boneco, na maior brincadeira. A preocupação maior era não receber uma paulada dos amigos e não se queimar com o fogaréu. Feita a catarse, voltávamos para casa, à espera dos chocolates que seriam ganhos no domingo.

Malhação de Judas 1975
No Sábado de Aleluia de 1975, soube que iria acontecer uma malhação em frente ao Clube Primavera, no Batel. Já adulto, substitui o porrete por uma máquina fotográfica, e consegui registrar algumas imagens. Nos anos noventa, apareceu um boneco no Jekiti, representando o prefeito da época. Não deu outra, no badalar do sino de meio-dia, a garotada destruiu o boneco em poucos segundos.

O costume está desaparecendo com o advento da informática e das conexões as redes sociais, assim como todas as outras brincadeiras de rua. Atualmente, a terminologia não é bem aceita por parte da sociedade, pois poderá remeter ao sentimento de ódio e preconceito.

Em tempo de COVID19
Se o costume de malhar judas já está desaparecendo, agora então em período de isolamento social é que ninguém ira sair às ruas para este tipo de brincadeira. Podemos até fazer uma malhação virtual. Aliás, isso é o que mais se faz nas redes sociais e emissoras de televisão. Pois cada um tem o Judas que merece. Então malhe!
Mas a brincadeira do meu tempo de criança era bem melhor.
Acredite!

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Foto: Malhação de Judas (Debret, Jean-Baptiste, 1768-1848. Voyage pittoresque et historique au Brésil. Tome troisième. p. 34).
Thierry Frères - https://www.flickr.com/photos/acervoafrobrasileiro/35006051114/in/dateposted-public/
Debret, Jean-Baptiste, 1768-1848. Voyage pittoresque et historique au Brésil. Tome troisième. p. 34

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